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Saúde mental na perinatalidade

  • Writer: Dra. Fernanda Sartori
    Dra. Fernanda Sartori
  • 2 days ago
  • 2 min read

Quando as pessoas falam sobre maternidade, geralmente falam de amor incondicional, devoção e realização.


Fica difícil entrar nessa equação o sofrimento mental e emocional.

Quase como se fosse impossível — ou até mesmo um pecado — uma mãe não se sentir bem.


Então eu pergunto: para onde vai o sofrimento de mulheres reais quando elas engravidam e se tornam mães?


Pois ele existe, mas não é visto, ou melhor, é pouco falado e pouco ouvido.


E estigma relacionado à saúde mental, aliado aos mitos que cercam a maternidade, são fatores que contribuem fortemente para isso.


Os dados ajudam a revelar essa realidade camuflada: a prevalência de depressão no período perinatal (que engloba gestação até 1 ano após o parto) varia entre 6 e 12%.


Além disso, existem muitas mulheres que enfrentam transtornos mentais diversos, como transtorno bipolar, síndrome do pânico, TOC, entre outros.

Para se ter uma ideia, se considerarmos apenas transtornos depressivos e ansiosos, falamos de cerca de 20 a 30% da população feminina adulta brasileira.


É no mínimo plausível considerar que essas mulheres não se curam magicamente só porque ficaram grávidas ou porque agora têm um bebê para cuidar — muito pelo contrário, o período perinatal pode ser um momento de risco para agravamento de transtornos mentais, por uma interação complexa entre fatores biológicos e psicossociais.


Então, quando a expectativa de que uma mulher viva a maternidade de forma feliz, intuitiva e gratificante esbarra numa realidade que não corresponde a esse ideal, muitas mulheres podem sentir culpa, vergonha e medo de falar sobre o que estão vivendo.


E pior ainda é quando elas encontram coragem para falar sobre seu sofrimento e, ao procurar ajuda, encontram preconceito, minimização ou rechaço, inclusive por profissionais de saúde.


A gente perde, assim, a oportunidade de humanizar essa mãe.

Porque antes de ser mãe, ela é uma mulher, um indivíduo, um corpo, enfim, um ser humano suscetível ao sofrimento e ao adoecimento como qualquer outro.


Perdemos também a possibilidade de promover mais saúde para essas mulheres e, consequentemente, para seus filhos.


É por isso que é urgente não fecharmos os olhos para os problemas de saúde mental na perinatalidade e, principalmente, que ofereçamos os nossos ouvidos para as mulheres que vivenciam esses desafios.

 

Escrito por Fernanda Sartori à 14 de maio de 2026.


 
 
 

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