Por mais um setembro...
- Dra. Fernanda Sartori

- 6 hours ago
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Como muitos sabem, há alguns anos o mês de setembro é dedicado, no Brasil, à campanha Setembro Amarelo.
Anualmente, eu me deparo com opiniões e paixões divergentes a respeito da iniciativa.
De um lado, há profissionais de saúde mental que são contrários. Argumentam que a campanha é superficial, frequentemente utilizada de maneira leviana por instituições e empresas, atravessada por uma lógica capitalista de “terapeutize-se” e “medicalize-se” e, sobretudo, que não há evidências de que ela seja eficaz na prevenção do suicídio.
Do outro, estão aqueles que vestem a camisa — amarela — e participam ativamente da campanha.
Dito isso, acredito que ambos os lados tenham argumentos válidos. E talvez devêssemos deixar as paixões um pouco de lado para olhar para a questão com mais cuidado.
Primeiro: transtornos psiquiátricos estão entre os principais fatores associados ao risco de suicídio e às mortes por suicídio.
Vivemos em um país com importantes dificuldades de acesso a serviços de saúde mental de qualidade, além de ações ainda insuficientes de promoção e prevenção em saúde mental nas escolas e ambientes de trabalho. Um país que também convive com o estigma em relação ao adoecimento mental e com profundas desigualdades sociais e econômicas — fatores que não podem ser ignorados quando falamos de suicídio.
Segundo: o Brasil, assim como a maioria dos países das Américas, vem apresentando aumento das taxas de mortalidade por suicídio, enquanto, nas últimas décadas, a tendência global foi de redução.
Portanto, embora o Setembro Amarelo tenha, sim, seus problemas e limitações, ele ao menos expõe uma ferida e nos convida a olhar para ela.
Se a campanha não é suficiente (e certamente não é), o que mais deveríamos estar fazendo para enfrentar esse problema complexo de saúde pública?
Qual é o papel das políticas públicas órgãos governamentais? Qual deve ser o papel das comunidades, das instituições, das famílias e dos profissionais de saúde?
As perguntas são muitas.
E as respostas, ainda insuficientes.
Mas há algo que, como psiquiatra, eu posso afirmar: não há gratificação maior do que ouvir de uma pessoa um obrigada por não deixá-la desistir.
Por isso, apesar de todas as ressalvas, eu acredito que – com a devida cautela e seriedade – precisamos continuar falando sobre isso
... por mais um setembro.




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